Em muitos setores da indústria nacional é possível recordar aspectos históricos que moldaram a forma com que as pessoas realizam suas atividades no dia a dia. Com o dom de criar, o ser humano busca sempre a facilitação por meio da tecnologia e novas invenções. Dentre as inovações, talvez não existisse no Brasil e no mundo uma indústria que fosse tão importante para o desenvolvimento econômico, social e tecnológico como a Indústria Automobilística.
O sonho de liberdade que o automóvel já transmitia aos norte-americanos e aos europeus, passaram a fazer parte da vida dos brasileiros no ano de 1956, no governo do presidente Juscelino Kubitschek que no mesmo mandato cria o GEIA – Grupo Executivo para a Indústria Automotiva.
| Linha de montagem dos carros Romi-Isetta (1956 - 1961) | |
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| Fonte: Acervo da Dana |
Em 1957, a fabricação de automóveis no Brasil começa a ganhar expressão e atingiu 30.457 unidades produzidas naquele ano, com destaque a fabricação dos primeiros caminhões, o Chevrolet 3100 e o Ford 600, veículos de uma nova categoria de grande resistência e que ajudaram a transformar o país no transporte de cargas e materiais utilizados na construção civil.
O presidente Juscelino Kubitschek toma uma decisão que mudaria o cenário da indústria automobilística no ano de 1959, o Brasil distancia-se dos Estados Unidos, recebe com honras Fidel Castro e rompe com o Fundo Monetário Internacional. Esta decisão abriu espaço para que marcas européias a pouco devastadas pela II Grande Guerra pudessem se recuperar em
outros mercados. Importado desde 1950, o VW Fusca começa a ser fabricado em São Bernardo do Campo (SP). Em poucos anos, torna-se líder absoluto de vendas.
| JK recebe Fidel Castro Saída da linha de montagem da fábrica da Volkswagem em São Bernardo do Campo (1959) |
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| Fonte: Acervo da Dana |
Em 1960, a Suécia anuncia a fabricação do modelo L-75 da Scania no país e definitivamente muda o conceito para veículos pesados, o modelo fica conhecido como o “Rei do Brasil”. No mesmo ano foi realizado no parque do Ibirapuera (São Paulo–SP), o primeiro salão do automóvel.
O Brasil passa a ser exportador de veículos em 1961, na ocasião um lote de 380 ônibus Mercedes-Benz é vendido para a Argentina e Venezuela. Jânio Quadros foi eleito presidente e renuncia sete meses depois. O vice João Goulart assume, mas, a oposição cria o parlamentarismo. A indústria automotiva passa por poucas inovações e poucos veículos foram lançados, destaca-se nesta época o Aero-Willys 2600 e o Karmann-Ghia conhecido como o Fusca de fraque.
Um plebiscito devolve plenos poderes ao presidente João Goulart em 1963, o clima de instabilidade no país é cada vez maior, porém, a indústria automobilística continua crescendo e durante o Salão do Automóvel de 1964, é anunciada a produção de um milhão de veículos. Em 31 de março do mesmo ano, um golpe militar derruba Goulart e o general Castelo Branco passa a ser o novo presidente da República.
Em 1965, os testes de durabilidade dos veículos entram em cena com o objetivo de conquistar novos clientes, um Gordini roda 22 dias seguidos no Autódromo de Interlagos (São Paulo – SP), um Simca faz 120.000 km sem parar, a qualidade das peças e o projeto dos carros apontam o novo rumo da indústria. No ano seguinte, a Gurgel conhecida por fabricar bugues para crianças, lança seu primeiro carro em “tamanho real” com a mecânica da Volkswagen.
A ditadura militar torna-se muito severa em 1967, no governo do general “linha dura” Arthur da Costa e Silva, a indústria automobilística passa a fabricar modelos de luxo, como o Ford Galaxie. Alguns requintes foram acrescentados nos modelos, mudando o conceito dos carros fabricados no Brasil.
| Parte interna e externa do Ford Galaxie 1967 | |
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| Fonte: Acervo Ford |
Em 1968, marcou o lançamento do Chevrolet Opala, que possuía uma mistura em boa dose do design alemão da Opel, com o motor norte-americano. A Ford entra na disputa por este segmento e fabrica o Corcel, derivado do projeto francês do Renault R12.
Com a morte de Costa e Silva em 1969, assume a presidência Emilio Garrastazu Médici e a indústria automotiva mantém-se em franca expansão na década de 70, o Salão do Automóvel passa a ser realizado no novo pavilhão do Parque do Anhembi. O Ibirapuera já não comportava o evento, pois, a indústria já comemorava a fabricação de um milhão de unidades.
Em 1972, a Volkswagen e Ford anunciam grandes investimentos no país e inauguram fábricas de motores em Taubaté (SP).
No auge do milagre econômico brasileiro o Produto Interno Bruto – PIB, apresenta um crescimento de 13% em relação ao ano anterior, em 1973 modelos de grande sucesso nacional foram lançados. A Ford definitivamente faz frente ao Opala da Chevrolet e apresenta o Ford Maverick, outras marcas preferem investir em veículos menores e surgem os modelos Chevrolet Chevette e o VW Brasília.
Em 1976, a montadora italiana Fiat monta seu primeiro carro no país, o Fiat 147 que surpreende pelo pequeno motor transversal. No mesmo ano, o principal incentivador da indústria automobilística nacional Juscelino Kubitschek morre em acidente de carro na Via Dutra.
Em 1980, a Volkswagen dá um passo importante para a conquista do mercado automotivo nacional e apresenta o Gol com motor refrigerado a ar, apontado por muitos como o sucessor do Fusca e o carro vira sucesso.
Após resistir a crise mundial dos anos 70, a indústria automobilística brasileira não resiste à crise. A produção de 1981 é a menor desde 1973.
Para combater o avanço do Gol, a Fiat apresenta o Uno em 1984, com design arrojado e várias soluções inovadoras, já a Ford apostando na mistura da mobilidade do Jeep com o espaço e conforto de um carro, lança o primeiro utilitário esportivo brasileiro, a Belina 4x4.
Em 1987, a Volkswagen e a Ford anunciam uma fusão no Brasil e Argentina, com 51% de participação da empresa alemã e 49% da americana, a nova empresa chama-se Autolatina.
À esquerda Ford Verona GLX e a direita o VW Apollo GLS
Figura 01 - Ao centro logomarca da Autolatina
Fonte: Sincopeças
Em 18 de dezembro de 1989, Fernando Collor vence Lula e torna-se o primeiro Presidente da República eleito pelo voto, desde 1960.
Em ser mandato Collor adota medidas econômicas que abriram o mercado para a importação de veículos, disse também uma frase que ficou registrada “os carros nacionais são verdadeiras carroças”. As medidas adotadas na época se atenuaram no governo de Itamar Franco, causando o término da parceria entre VW e Ford, era o fim da Autolatina.
Segundo dados fornecidos pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (ANFAVEA), a partir desta época, a participação dos carros populares nas vendas no mercado interno atinge, em 1994, 45,9%; em 1995, 53,8% e em 1996, 56,3%.
Gráfico - Vendas de Carros Novos X Mercado Interno
Fonte: ANFAVEA
Em 1997, a produção anual da indústria automobilística brasileira ultrapassa dois milhões de unidades e no ano seguinte, Fernando Henrique Cardoso é o primeiro presidente da República reeleito na história do Brasil.
Os modelos franceses voltaram a ser fabricados no Brasil em 1999, onde marcou o início da produção do modelo Renault Scénic, Land Rover Defender 110 e do popular da Mercedes-Benz Classe A. Com a entrada destas marcas, a Peugeot, Citroen, Honda, Toyota e Hyundai estabelecerem posições no mercado nacional, incomodando definitivamente o reinado da GM, Volkswagen, Fiat e Ford.
Em 2003, a Volkswagen anuncia o lançamento do Gol 1.6, com tecnologia bi-combustível, a inovação revoluciona o mercado automobilístico e estimula todas as marcas a seguirem pelo mesmo caminho, é o inicio da geração Flex. Atualmente as montadoras prevêem que 80% da frota deixem à fábrica equipada com esta tecnologia.
No ano de 2006, pela primeira vez, uma grande montadora brasileira lança um carro movido a bateria, o Palio Elétrico é resultado de uma associação entre a Fiat e a Itaipu. Provavelmente este será o futuro da indústria automobilística.
Palio Elétrico, desenvolvido pela Fiat/Itaipu
Fontes: Acervo Fiat
A história da indústria automobilística esteve diretamente ligada e sempre sofreu conseqüências de decisões e momentos políticos. Atualmente, a queda nas taxas de juro e o alongamento dos prazos de financiamentos, devem fazer de 2007 um ano de vendas recorde segundo estimativa da Anfavea, no primeiro semestre a expansão das vendas foi de 26%. “Nos próximos três anos a ritmo de crescimento deve ficar em 10%” segundo Cledorvino Belini, presidente da Fiat, atual líder de vendas na Brasil. A conjunção destes fatores oferece a base sólida para que a indústria programe uma grande safra de lançamentos.
A expansão da oferta de crédito e da demanda doméstica cria condições para que as regras do setor sejam ditadas pelo mercado, não mais pelo Estado.
As mudanças ocorridas ao longo dos 50 anos da indústria automobilística ressaltam a importância do automóvel na vida dos brasileiros. O ambiente de negócio para empresas que fazem parte da cadeia de valor muda constantemente na tecnologia empregada e nos recursos utilizados, criando novos processos, eliminando paradigmas e se tornando cada vez mais profissional.
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